Projecto de Artémia salina

Ante-projecto de produção de Artémia Salina

 

Introdução

 

Nas últimas duas décadas, a artémia salina tornou-se numa ferramenta-chave para a expansão da indústria dedicada à produção de peixe e crustáceos.

O consumo anual de cistos de artémia aumentou de algumas toneladas (nos anos 70), para mais de 2000 toneladas, nos últimos anos.

A exploração dos recursos naturais, a introdução de espécies seleccionadas em biótopos adequados, o melhoramento das técnicas de recolha e processamento, foram factores que contribuíram para viabilizar a produção de cistos de elevada qualidade.

As técnicas desenvolvidas para maximizar o valor nutricional dos nauplios da artémia, a oferta de cistos desencapsulados, a congelação dos nauplios e o seu enriquecimento com ácidos gordos seleccionados e vitaminas, contribuíram para a rápida expansão das quintas industriais de produção de diversas espécies no sector da aquacultura., um pouco por todo o mundo.

Apesar de ser mais frequente a aplicação dos náuplios recém-eclodidos, cada vez mais se usa a biomassa da artémia salina, recolhida em lagos salgados, salinas e sistemas de cultura intensiva.

Actualmente, a artémia salina é produzida e explorada pelos cinco continentes. Apesar disto, uma grande parte dos cistos comercializados vêm de um local apenas: o Great Salt Lake, nos Estados Unidos.

Esta situação faz com que o mercado esteja extremamente vulnerável às mudanças climáticas ou ecológicas ocorridas neste lago. Estes dois factores fizeram com que a produção entre 1993 a 1995 fosse anormalmente baixa.

Para além do seu valor, enquanto alimento nutritivo, a artémia varia consoante a sua espécie, albergando alterações na sua composição, e tornando as diversas espécies em alimento ideal, consoante a espécie de pescado a que se destina.

A fim de melhorar essas condições, pesquisas tornaram a bio-encapsulação da artémia num processo extremamente rico, a fim de transmitir, na origem, os componentes essenciais para obter uma melhor produção na aquacultura, aumentando a taxa de sobrevivência dos peixes e crustáceos, melhorando a sua qualidade, em termos de crescimento e sucesso, diminuição de stress e resistência a doenças. É também através da bio-encapsulação da artémia que se obtém uma forma fácil de fornecer vitaminas e vacinas, na aquacultura.

Para a aplicação em determinadas espécies de peixes, são necessários 20 a 40 dias de manutenção com artémia; para a larvacultura, são necessárias cerca de 200 a 500 gramas de cistos por cada 1.000 alevins (peixes nos primeiros estágios de vida).

A artémia, viva ou congelada, é usada, também, como alimento para todas as espécies de peixes de aquário. Para o necessário desenvolvimento de determinadas espécies de alevins, é essencial a aplicação de nauplii, pelo que os cistos são muito requisitados pelos aquariófilos, pois a taxa de sobrevivência é infinitamente mais elevada, assim como o vigor e a pigmentação.

Sumariamente, quando se nos referirmos a artémia, estaremos a falar de dois produtos diferenciados: cistos e biomassa.

Os cistos são os ovos, que, normalmente, são vendidos secos ou enlatados; por vezes, são igualmente vendidos em matéria húmida (misturados com sal), mas esta última hipótese só é aplicada quando estes são recolhidos em local próximo ao da venda, já que possuem uma validade muito curta.

Os cistos podem ser apanhados no seu estado selvagem, em lagos salgados ou salinas, ou advêm de culturas; estas são, habitualmente, efectuadas em salinas.

Apesar de ser uma cultura compatível com a produção de sal, geralmente é efectuada, como produto prioritário, em salinas em declínio. Em qualquer das situações, a artémia salina desempenha um papel crucial no sistema biótico destas, devido à limpeza das águas que efectuam, ao ingerir todas as pequenas partículas existentes, e “embrulhando-as” em pequenos “sacos” fecais, que, ao serem expelidos, descem até ao fundo das águas.

Quando se dá início a um estudo sobre produção de artémia, o objectivo a definir será, primariamente, a produção ou dos cistos ou da biomassa, e em segundo lugar, a técnica de cultura a utilizar (flow-through, sistemas estáticos, multi-ciclos), ou uma combinação destas.

A produção obtida de cada exploração só poderá ser avaliada após um estudo efectuado a determinados factores (clima, algas presentes, salinidade, tipos de predadores, etc).

Normalmente, as salinas e lagos são eficazes para a recolha de cistos, mas no caso da biomassa (artémia adulta), os tanques tornam-se mais eficazes.

Esta biomassa é usada como alimento directo ou como componente de alimentos destinados às culturas de peixe e marisco. Pode ser utilizada viva, seca, congelada ou desidratada.

 

O sector da aquacultura, que cresce a uma taxa na ordem dos 10%, anualmente, força a um crescimento ainda mais rápido, da produção da artémia.

De todos os alimentos vivos utilizados na aquacultura, a artémia é a mais usada, internacionalmente. Anualmente, cerca de 2.000 toneladas de ovos secos de artémia, ou cistos, são vendidos em todo o mundo, para eclosão local.

Os métodos da recolha da artémia diferem, de local para local, não possuindo uma única tipologia. Factores como a morfologia da salina, ou lago, a química da água, suporte logístico, condições climáticas, e o nível de competidores a efectuar colheitas na mesma fonte, muitas vezes ditam qual o melhor método a aplicar na recolha.

A recolha dos cistos é feita em dois formatos: em terra ou em águas abertas.

A primeira, é, basicamente, esperar pelas acumulações de cistos depositados nas margens, devido às acções dos ventos e das ondas. Os cistos são, então, recolhidos com a ajuda de redes, ancinhos e/ou pás.

 A colheita feita em águas abertas é aplicada em grandes lagos, já com suporte logístico, envolvendo barcos, de forma a concentrar os cistos, sendo estes, então, bombeados para sacos porosos

Depois da sua apanha e processamento, estes cistos são vendidos em embalagens apropriadas, para suprir as necessidades de aquacultores e aquariofilistas, que necessitam de prover as suas culturas com alimentos vivos.

Dada a sua rápida eclosão (cerca de 24 horas) e fácil fornecimento aos peixes, a artémia torna-se preferencial, sendo um dos alimentos vivos mais nutritivos e próprio para qualquer organismo aquático, marinho ou de água doce.

 

Historial

 

Apesar da artémia ser conhecida do Homem há alguns séculos, aparentemente a sua aplicação em culturas terá começado, unicamente em 1930, quando diversos investigadores comprovaram a sua aplicação como alimento excelente em culturas.

Em 1940, todos os cistos comercializados provinham da recolha em salinas naturais. Acompanhando o rápido crescimento de interesse dos aquariofilistas na manutenção e reprodução de espécies, o valor comercial da artémia subiu, dando início a uma nova indústria: a produção de artémia.

Os pioneiros iniciaram esta exploração em 1951, no Great Salt Lake, no Utah, Estados Unidos, colhendo cerca de 16 toneladas, originalmente.

Foi na região da Baía de S. Francisco que se descobriu que a artémia poderia ser reproduzida nas salinas artificiais. Em 1960, a produção originária destas salinas aparentavam ser ilimitadas.

No entanto, a rápida expansão da aquacultura, em 1970 demonstrou que a procura excedia em muito a oferta, e que os preços da artémia subiam incontrolávelmente, tornando a sua aplicação na aquacultura e na aquariofilia demasiadamente dispendiosa, em particular, para alguns países em desenvolvimento, que não se podiam dar ao luxo de importar os valiosos cistos.

Foi a partir desta altura que se deu início a uma autêntica revolução na forma como se recolhia a artémia, passando a existir tecnologia própria para a sua produção, reprodução, recolha e tratamento.

 

Actualmente, mais de 95% das cerca de 3.000 toneladas de artémia em biomassa, obtidas através da cultura, são vendidas em blocos congelados, já que a recolha e venda da artémia obtida nas suas fontes naturais é feita a preços proibitivos, sendo, ainda, um alimento extraordinariamente caro, mesmo obtido a partir das culturas.

Singapura, por exemplo, dada a expansão da aquacultura e da aquariofilia, já se depara com dificuldades para suprir as necessidades.

 

Morfologia e Ciclo de Vida

o que é a artémia

 

Habitat:

Zonas de águas calmas, com uma salinidade muito elevada, disseminada por todo o mundo

Comp. Máx.:

20 mm

Alimentação:

Filtram a água alimentando-se de todo o tipo de partículas nela suspensas.

Formas encontradas no mercado:

Ovos de artémia – podem facilmente ser encontrados no mercado, hoje em dia já existem várias formas entre as quais ovos sem casca e enriquecidos.

artémia congelada – talvez a forma mais normal. É facilmente encontrada no mercado, e é muito utilizada.

artémia viva – difícil de encontrar, excelente para qualquer tipo de peixe.

Eclosão dos cistos:

Os ovos de artémia devem ser cultivados numa solução com uma densidade de 1.022.

 

A Artémia é um pequeno crustáceo que vive em salinas, lagos ou lagoas salobras. Está disseminada por todo o mundo e é empregue por aquariófilos e por aquaculturistas, para alimentarem os seus peixes, principalmente alevins.

É um alimento muito utilizado por devido às suas vantagens, principalmente por ser um alimento vivo, sendo uma grande fonte de nutrientes, e contendo elevados níveis de proteínas, o que contribui para um bom crescimento dos peixes.

Os níveis de proteínas contidas (nos náuplios oscilam entre os 50 a 60% e nos adultos entre 40 a 50%), são facilmente digeridas pelos peixes.

As Artémias são animais extraordinários, que podem viver em condições extremas, muitas vezes em hiper-salinidade, e chegam a viver em lagos com um teor de sal da ordem dos 25%.

Nestes meios os predadores são poucos e existem poucos competidores, existindo uma grande produção de algas, originando o ambiente ideal para as Artémias.

O ciclo começa a partir de um cisto, que contem um embrião com o metabolismo suspenso (este estado é conhecido por diapausa). Os cistos são muito resistentes e podem sobreviver durante cinco ou mais anos se permanecerem num local fresco e seco. Na natureza a maioria das vezes quando existem variações de temperatura ou na salinidade da água os cistos re-hidratam e entram no primeiro estagio de crescimento (as larvas deste estagio inicial são conhecidas por náuplios).

Se as condições forem óptimas a fêmea pode produzir cerca de 300 náuplios ou cistos a cada 4 dias, no entanto, as condições são muito variáveis nos habitat mais comuns das Artémias, pelo que estas conceberam uma estratégia muito interessante de reprodução. As fêmeas, no caso das condições serem perfeitas, produzem artémias recém nascidas no caso de não serem perfeitas são produzidos cistos para eclodirem quando as condições forem mais favoráveis. Estes cistos são utilizados pelos aquariófilos para alimentarem os seus peixes, principalmente os recém nascidos.

Paralelamente, as artémias são aplicadas na aquacultura, não tão amplamente, devido ao seu preço elevado, mas a sua aplicação provoca um maior crescimento dos espécimes e uma maior resistência às doenças.

Hoje em dia é usual em aquaculturas ou na criação de peixes tropicais em grande escala, a utilização de artémias com determinadas propriedades, propriedades essas que são introduzidas através da comida, podendo por isso controlar-se, através da alimentação com artémia a administração de determinados produtos, essenciais para o crescimento dos peixes ou para o seu tratamento.

No seu habitat natural, em determinados momentos do ano, a artémia salina produz cistos que flutuam até à superfície das águas, sendo arrastados para as margens, pela acção das ondas e dos ventos.

Estes cistos são metabólicamente inactivos e não se desenvolvem, enquanto se mantiverem secos.

Após a sua imersão em água salgada, estes cistos de forma bicôncava hidratam, tornam-se esféricos e, após 20 horas, a membrana exterior rompe-se e o embrião aparece, rodeado por uma membrana. Só algumas horas depois o desenvolvimento estará completo e um nauplii nadador surgirá.

Os cistos não deverão ser produzidos no mesmo local que a biomassa; ambas as culturas deverão estar separadas, pois ao cultivar-se no mesmo local, a produção de cistos será sempre muito baixa.

Os cistos estão disponíveis durante todo o ano, em grandes quantidades, ao longo das orlas dos lagos de águas salgadas e das salinas dos cinco continentes. Depois de serem recolhidos e tratados, os cistos ficam disponíveis para os consumidores, em embalagens. Em apenas 24 horas de submersão em água salgada, estes cistos libertarão pequenos nauplii, que irão alimentar, directamente uma larga variedade de espécies marinhas e de água doce, constituindo um dos alimentos vivos mais nutritivos.

Uma artémia adulta terá, mais ou menos, 1 cm de comprimento.

Em óptimas condições, uma artémia pode viver durante vários meses, passando de um nauplii para um adulto em apenas 8 dias e reproduzindo-se de 4 em 4 dias (cerca de 300 nauplii ou cistos).

Tanto a temperatura como a salinidade afectam a sobrevivência e o crescimento, e estes factores são significativos quando se opta pela produção em tanques ou em salinas.

 

Vantagens da produção em tanque e da biomassa produzida em tanque

Em condições óptimas, a artémia salina pode manter-se viva por vários meses, passando de náuplios para adultos em apenas 8 dias e reproduzindo-se a uma taxa de cerca de 300 náuplios ou cistos a cada 4 dias.

Apesar da biomassa (artémia) produzida em tanque ser mais dispendiosa do que a produzida em salinas, as suas vantagens são inúmeras:

-         produção intensa durante o ano todo, independentemente do clima ou da estação;

-         estágios específicos (juvenis, pré-adultos, adultos) para fornecer os tamanhos adequados a cada espécie de peixe;

-         a qualidade da artémia pode ser melhor controlada (nutricionalmente, e livre de doenças).

As técnicas da cultura super-intensiva oferecem duas grandes vantagens, em comparação com as técnicas de produção em salina. Em primeiro lugar, não existe restrição, em relação ao local de produção ou ao tempo: o procedimento de cultura não exige águas altamente salinas ou condições climatológicas específicas. Em segundo lugar, a produção controlada pode ser programada para altas densidades de artémia salina, mais de vários milhares de animais por litro, versus algumas poucas centenas de animais por litro, nas culturas exteriores, em salinas.

Na última década, diversas quintas de produção super-intensiva de artémia surgiram, um pouco por todo o mundo, incluindo Estados Unidos, França, Reino Unido e Austrália. Dependendo do tipo de tecnologia de produção elegida e do tamanho das instalações, os custos de produção estão estimados em cerca de €12 por quilo de artémia, com preços de venda ao público entre os €25 e os €100, por quilo.

 

 

 

As condições bióticas e abióticas relevantes para a cultura da artémia são:

-         condições físico-químicas da cultura (composição iónica da cultura, temperatura, salinidade, pH, concentração de oxigénio, iluminação, qualidade da água)

-         artémia (selecção da raça e densidade da cultura)

-         alimentação (estratégia de alimentação e selecção da dieta mais adequada)

-         infra-estrutura (design do tanque e dos sistema de aeração, design do filtro, unidade de recirculação, aquecimento e aparato de alimentação)

-         técnicas de cultura (sistema de fundo em fluxo aberto, tipo de recirculação, cultura estagnada).

 

Apanha e Processamento da Artémia

 

Efectuar a recolha de artémia, em sistemas de alta densidade, pode ser facilitado pela vantagem conferida pelo sistema de respiração à superfície da artémia.

Quando os sistemas de aeração, de renovação de água e de alimentação são interrompidos, o nível de oxigénio desce abruptamente, e após 30 minutos, a artémia subirá à superfície para respirar.

Dado que todas as outras partículas descerão para o fundo do tanque, apenas existirão à superfície as artémias, sendo então a altura ideal para as recolher, recorrendo a uma rede.

Alimentar peixes de água doce com esta artémia não terá nenhum inconveniente, pois as artémias são animais hipo-osmoreguladores, e permanecerão vivas, em água doce, durante 5 horas.

O transporte da artémia viva pode ser feito em sacos de plástico ou contentores, contendo água do mar e oxigénio.

Se acaso for congelada, a biomassa deve ser estendida em camadas finas (1 cm), em plásticos ou usando tabuleiros para fazer cubos de gelo, e transferida de imediato para os congeladores  (-25°C).

A biomassa resultante da artémia adulta pode ser apanhada com redes cónicas montadas à frente de uma pequena lancha ou barco. Também podem ser montadas no escoadouro ou saída do tanque ou salina, e assim a biomassa pode ser recolhida que a água flui, por bombagem ou gravidade, para o tanque ou salina seguinte.

As redes devem ser largas para facilitar a recolha e com um filtro de 1m ou 2m (conforme se recolhe juvenis ou adultos) e deverão ser esvaziadas de hora em hora. Após a recolha da biomassa, esta deverá ser passada por água limpa, doce ou salgada.

A artémia deve ser preparada (congelada ou seca) ou usada como alimento vivo, nas 3 horas seguintes à sua colheita. Para que se conservem as suas propriedade nutritivas, a artémia deve ser processada (congelação ou secagem) ainda viva, para que não perca os seus enzimas proteolíticos e os seus nutrientes essenciais e estes processos deverão ser executados com rapidez, pois a lentidão em ambos os casos provocarão oxidação e perda dos nutrientes.

Se acaso não for usada de imediato, deve ser conservada, viva e já limpa, em pequenos contentores com água do mar, com uma densidade máxima de 500gr. de biomassa por litro de água.

Se acaso o processo determinado a seguir for a secagem, pode-se contar com uma perda de 90% de biomassa, já que a artémia retém cerda de 90% de água no seu organismo.

 

Condições e Equipamento para a Produção de Artémia:

 

A artémia pode ser produzida em tanques de todos os formatos, desde que o sistema de aeração assegure uma oxigenação apropriada.

A filtragem é outro ponto fulcral; deve ser eficiente na remoção do excesso de culturas, na água, sem existir o risco de se perder a artémia. Estas unidades de filtragem devem operar durante 24 horas.

Uma vez mais, o aquecimento é essencial, se a temperatura ambiente descer abaixo dos 25-28°C., aplicando-se um aquecedor com termóstato.

Dependendo dos objectivos e das oportunidades, diferentes procedimentos de cultura, para uma produção super-intensiva de artémia, podem ser aplicados.

A selecção final de um ou outro tipo de instalação estará subordinada a condições locais, necessidades de produção e possibilidades de investimento.

Existem duas opções básicas: com renovação da água (open flow-through), ou sem renovação. No segundo caso será igualmente necessário decidir se existirá a aplicação de um tratamento de água (closed flow-through) ou não (sistema de estagnação ou monte).

O sistema de cultura deve ser desenhado de forma a que a qualidade da água se mantenha em condições óptimas, o que quer dizer que a concentração de partículas e solúveis deve ser mantida nos seus níveis mínimos, a fim de evitar intoxicações, proliferação de microorganismos e interferências com o dispositivo de filtragem da artémia.

Se acaso não houver água do mar aquecida, em quantidade suficiente, dever-se-á instalar uma unidade de tratamento das águas, de forma a que este re-circule.

Depois de duas semanas de  produção, a artémia terá cerca de 5mm e poderá ser apanhada. Nos sistemas de flow-through a mortalidade não é relevante, o que não sucede na cultura estagnada, dada a rápida deterioração das águas.

A produção média de biomassa depois de duas semanas, é de cerca de 15 a 25 kg, por metro cúbico de tanque, e utilizando uma alimentação de algas. Estas não poderão ser indicações seguidas taxativamente, já que, em última análise, factores já referidos anteriormente poderão alterar drasticamente estes valores.

 

 

Condições e Equipamento para a Produção dos Cistos:

 

Apesar da eclosão de pequenas quantidades de cistos de artémia ser algo simples, diversos parâmetros deverão ser tomados em consideração para a eclosão de largas quantidades de cistos, um procedimento comum na rotina diária das empresas dedicadas à produção deste pequeno crustáceo.

Estes parâmetros são os seguintes:

-         aeração

-         temperatura

-         salinidade

-         pH

-         densidade dos cistos

-         iluminação

Para uma operação rotineira, deverá ser criado um habitat standartizado: aquecedores com termóstato ou salas climatizadas, para assegurar uma temperatura constante e uma densidade de cistos fixa.

Os melhores resultados são obtidos com contentores de fundo cónico e um sistema de aeração.

Tanques de fundo redondo ou cilíndrico conterão pontos mortos aonde os cistos e os nauplii se acumularão e sofrerão de falta de oxigénio.

Os contentores deverão ser transparentes para uma constante inspecção.

A temperatura deverá rondar os 25-28°C; abaixo destas, os cistos eclodirão mais lentamente e acima dos 33°C o metabolismo dos cistos parará irreversivelmente.

A eclosão deverá ser feita, de preferência, com água do mar natural e a salinidade deverá ser testada com um refractómetro ou um densitómetro e com um pH de 8.

É essencial uma forte luminosidade sobre os contentores (2.000 lux), para despoletar o desenvolvimento embriónico.

 

Produção:

 

A eclosão de cistos produzem, em mínimos, cerca de 100.000 nauplii por grama de cistos. Os cistos provenientes do Great Salt Lake produzem cerca de 270.000 nauplii por grama de cistos; no sistema de tanques, poderão ser produzidos cerca de 320.000 nauplii por grama de cistos.

 

Localização do Projecto:

 

Devido à sua excelente localização, as salinas de Alcochete, propriedade da Santa Casa da Misericórdia local, são o local ideal para a instalação deste projecto, não só pela sua posição geográfica, mas também pelos níveis de salinidade e pela espécie de artémia salina que se alberga na zona, sendo uma das melhores estirpes, a nível mundial.

É também um ponto excelente para criar uma rede de distribuição a partir daí.

Estas salinas deverão, numa fase mais avançada do projecto, sofrer um acordo de utilização com a entidade a quem pertencem, minorando as suas despesas de manutenção, e contribuindo, assim para uma renovação da sua utilização, melhoramento do tecido económico e do ambiente.

 

Objectivos do Projecto:

Iniciar a primeira produção de artémia nacional, não só para utilização interna (aquacultores e aquariófilos), como também para exportação.

Estimular a produção de cistos e produzir, processar e embalar nauplios e biomassa.

 

 

Área de instalação:

4.3 ha de salinas

1.77 área útil de produção

Duas unidades de sistema de produção (área A – 10 tanques de evaporação + 23 tanques de cultivo, estufas e parte seca; área B – 7 tanques de cultivo)

300 m2 de estruturas (laboratório, armazéns e escritório)

35 m2 de laboratório

200 m2 de armazém (linha de armazenagem e embalagem de artémia, instalação das caldeiras)

65 m2 de escritório e habitação de apoio

13.000 m2/área de reservatório de água (capacidade para 10.000m3 de acumulação)

820 m2 de tanques de evaporação (2)

4176 m2 de tanques sob estufa (8)

5310 m2 de tanques externos (5)

522 m2 tanque externo (1)

 

 

Custos de Arranque

Materiais

 

Material de Laboratório (bancadas c/lavatório, lupa estereoscópica, estufas de secagem, microscópio, arca congeladora, máquina de soldar plástico, prateleiras, armários, refractómetros, aparelhos de medição, balanças de precisão, mangas de cultura, materiais de vidro, ferro e plástico, compressores de ar);

Material de Armazém (câmaras de congelação, túnel d congelação, tanque de lavagem de artémia, carro-de-mão, botas de borracha, armários de armazenamento, produtos de limpeza, material de embalagem, mangas de plástico, depósito de água para homogeneização de alimento, homogeneizador de alimento, máquina de produção de gelo);

Material de Tanques (injectores de ar, depósitos de fornecimento de alimento, tanques de recolha de artémia, bombas de água, caldeiras de aquecimento).

Total previsto: €11.472

Área de Construção e Renovação

- €23.942

Equipamento de Distribuição

2 viaturas de distribuição com isolamento térmico

- €39904

Armazenagem de Suplementos Alimentares:

- €9.976

 

Total: €85.294 (esc./170.588 cts)

 

Anuais:

 

Suplementos Alimentares – €9.976

Energia (electricidade+combustíveis) – €49.880

Seguros – €5.985

Renovação e Compra de Materiais – €7.482

 

Recursos Humanos

2 técnicos/consultores – €34.916

Encarregado – €10.475

Pessoal auxiliar – € 30.726

 

Total – €73.323

 

Estimativa de Produção:

1º ano – 200 toneladas

Anos seguintes- 400/500 toneladas

 

Preço estabelecido de venda (mínimos) €12/kg – biomassa (húmida)

Estimativa no primeiro ano (mínimos) – €2400.000

 

Nota: Este projecto nunca foi adiante, por falta de interesse do Governo em apoiar!

 

Autora:

Sandra Almeida

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2 Responses to Projecto de Artémia salina

  1. Fabio says:

    SABERIA ME INFORMAR ONDE POSSO COMPRAR OVOS DE ARTEMIA, ACHEI SEU PROJETO MUITO INTERESSANTE. PARABÉNS.

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